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Ps : Os trechos entre »
«, foram escritos e/ou
corrigidos por Mário
Barreto.
Ps2 : Esse texto é baseado no que presenciei nos 2
anos que trabalhei na Tv Manchete. Foras as primeiras coisas
que aprendi sobre vídeo, em meados de 1995. Mário
Barreto, que está a muito mais tempo no mercado e entende
muito mais dessa parte técnica do que eu, fez algumas
correções técnicas, no texto, em prol
da instrução correta aos leitores da 3Donline.
Até uns
anos atrás (Não muitos)... A galera era obrigada
a ter uma placa de video que possuísse um FRAMEBUFFER,
que nada mais era o que o nome diz...Um BUFFER de FRAMES em
Alta resolução (leia-se 720x486, ou 512x486
na época...). Na época praticamente nenhum micro
era capaz, por si só, com placas a custo acessível,
mostrar 16 milhões de cores ou até 65000 cores
numa tela. As placas chegavam a 256 cores, estourando. Dava
pra rodar bem o DOS, e o windows.
Nessa época,
não podiamos renderizar uma cena e ver no mesmo monitor
que estávamos trabalhando, por que as placas de video
não suportavam o numero de cores/resolução.
Então todo mundo usava esses FRAME BUFFERS, que eram
placas que além de ter capacidade para pegar uma
imagem em 16 milhoes de cores, do micro, tinham uma saída
componente RGB, para ligarmos um MONITOR de video, e vermos
a imagem do RENDER, como ele deveria ser...
Por isso hoje em dia, dentro da caixa de render do MAX,
você encontra uma opção chamada "carinhosamente"
de VIRTUAL FRAMEBUFFER, que nada mais é que um "simulador"
dos saudosos FRAMEBUFFERS.
Imagina que sem isso todo mundo, como
nós, que usa o 3D também em casa, tinha que
ver o render, se quisesse em 256 cores. Nojento.....heheeh
Alguns programas nem rodavam se você não tivesse o
tal FRAME BUFFER, que eram placas caras, "só"
produtoras e redes de TV tinham...
O FB , mas famoso
da parada era a TARGA... Muitas delas ainda rolam por ai,
sucateadas. O tempo de glória das TARGAS acabou,
depois da popularização das placas de video
e monitores VGA / Super VGA, e as placas de video, finalmente
conseguiam mostrar mais do que 256 cores, pois já
chegavam a ter de 512 a 1Mb de RAM de video !!!
Todo mundo VIBRAVA, literalmente, diante de uma tela do
windows, com uma foto digitalizada, que não apresentava
dithering, ou aquelas "quebras de cor" nas paletas,
cores, e degradees...
Das Targas, existiam vários modelos...TARGA
16,, TARGA PLUS, TARGA 24, e isso representava o numero
de bits de imagem que ela suportava. Com uma TARGA 16, você
era capas de apresentar 65000 cores na tela, e como as targas
tinham saída RGB, podiam ser ligadas a equipamentos
"profissionais" de video.
» Porém,
a saída RGB dos framebuffers não podia ser
ligada aos VT's da época.
O padrão era o vídeo composto
e era necessário usar um encoder de boa qualidade
para fazer a interface.
O "tchan" eram as máquinas
de 1 polegada, as BVH's Sony ou então as Ampex. U-Matic
era utilizado com restrições.
Os BVU's U-matic
precisavam estar equipados com um board TimeCode, o BKU-XXX,
para ter precisão de frame. Praticamente todas as
BVU's tinham este board. Apenas a linha VO, de U-Matics
mais baratos não tinham esta opção
e não eram indicadas para este trabalho. «
Ok...Então para trabalhar tinhamos
que ter um micro, e pra ter qualquer conexão com
um VIDEO, tinhamos que ter uma interface. Além disso
tinhamos que ter algo que mostrasse a imagem do render para
o a saída de VIDEO, em qualidade de TV, 16 milhoes
de cores, etc... Entre outros equipamentos auxiliares.
A TARGA, era um
excelente FrameBUFFER. Você renderizava no 3DS, e
trabalhava com 2 monitores. Em um, ficava a tela do programa,
e no outro, de VIDEO, devidamente conectado a PLACA TARGA
e configurado para receber imagens do 3DStudio, mostrava
a imagem sendo renderizada.
Assim podiamos
ver o que estávamos renderizando, com qualidade final,
ali mesmo...
Ok...Mas mas você
está vendo 1 frame, parado, armazenado no FB. Se
der um REC no Video, ele gravará esse frame...Que
emoção...Mas pra termos movimento, precisamos
mostrar 30 desses "pesados" frames por segundo,
e não 1 só frame parado na tela.
Acontece que essas placas só recebiam
informação dos programas que se comunicavam
com elas...Não dava pra por exemplo, ver o que está
na tela do micro, no monitor..Mesmo se desse...Era 256 cores...Num
rolava...
» Qual
a solução ? RS-422...Interface serial que
conectada ao UMATIC, ou BETA, permite controle "total"
do video, através do micro...
As placas, vinham com utilitários,
que instruídos por comandos e procedimentos previamente
programados em linguagem Batch e/ou Basic, permitiam a execução
de várias tarefas e controles entre o framebuffer
e os controles dos VTs. Os Batchs, programados faziam o
seguinte... Olha que loucura.... :«
Você
clica no RENDER ...
Depois
de alguns longos minutos, a imagem está pronta e
completamente visualizada no FRAMEBUFFER, portanto pode
ser gravada no VIDEO.
O
3DStudio, volta a fita U-MATIC ou BETA... Até 5 segundos
(Pre-roll) antes do ponto (timecode), especificado para
começar a gravar a vinheta.
Nesse momento
o VIDEO está em posição REMOTE, e só
pode ser controlado pelo micro.
O
3DStudio, solta o play...E deixa a fita rolar os 5 segundos
que voltou...No momento 5 Segundos + 1 frame, o video recebe
um comando de REC, e a luzinha vermelha pisca, e fica acesa
durante 1 FRAME. Assim, gravando o que está no FRAMEBUFFER,
na fita. Somente 1 frame foi gravado...
O video
rola mais um pouco. E dá pausa... Fica em stand by,
aguardando novos comandos...Segurando a fita em PAUSE...
Assim
que o frame é gravado, o MAX, renderiza mais 1 frame...o
próximo...E TODO o processo se repete... GRavando
assim consecutivamente FRAME a FRAME....
Assim, o render era direto para o FB, e pra FITA, não
ia pro HD.
As vezes alguns frames não eram
gravados no lugar certo, ou por qualquer outro problema
era gravado um frame BLACK (vazio), no lugar do frame certo...O
que era um "desastre total depois de uma noite renderizando
para o VIDEO.
Muitos vídeos também DESARMAVAM
a cabeça, por segurança quando ficavam muito
tempo em PAUSE (se o render demorasse muito), ai dava uma
problema danado... Muitas vezes não dava tempo de
re-iniciar o render todo de novo numa nova fita e tentávamos
acertar com um tiro certeiro os frames nos lugares certos,
tampando os blacks e erros que ficavam na fita. Qualquer
erro de calculo, ou escorregada sua ou do video, podia detonar
a fita e a vinheta e você tinha que fazer TUDO de
novo !!!!
Esse era um processo muito lennnnto e
doloroso..normalmente feito durante a madrugada. A maioria
das pessoas criava seus próprios programas BATCH
de RENDER PRA FITA. A targa vinha com um set de arquivinhos
.EXE, e .COM, que podiam fazer praticamente tudo relacionado
ao controle do video, leitura de um frame do HD para o FRAME
BUFFER, apagamento do FRAMEBUFFER, e muito mais...
Assim...Com um pouco de conhecimento de
programação BASIC e BATCH, era relativamente
fácil criar programas que controlavam os UMATICs
e BETAS e faziam todo esse processo.
Dai usávamos
mais esses programinhas "in house", do que renderizar
direto...Assim a segurança era maior.
Renderizávamos uma sequência
de imagem , em TIF, ou TGA (dai vem o .TGA....de TRUEVISION
TARGA, fabricante das TARGAS.), e usávamos um BATCH/BASIC
software, feito por nós mesmos, que perguntava o
nome do prefixo da sequência, o numero do frame inicial,
o numero do frame final, e o timecode da fita que gostaríamos
de "jogar" essa animação...
Tudo preenchido,
o software se encarregava do resto... Por meio de loops
e IFs, Gotos, e variáveis incrementadas, o software
utilizava os utilitários de controle da TARGA, e
ia lendo os frames, um a um, e reproduzindo TODO o processo
de gravação, pre-roll, e tudo mais...Dessa
forma era muito mais seguro, pois podiamos alterar a programação
para aumentar o tempo de PRE-ROLL, para desligar as cabeças
da BETA/UMATIC, dando STOP automático ao final do
processo e muito mais ...!
Bom...Depois de tudo isso feito, a animação
tava prontinha na fita, era só volta-la e dar um
PLAY. Uma grande vantagem esse processo ainda tem até
hoje... Não existe COMPRESSÃO em hora alguma,
da imagem até chegar a fita.
Hoje em dia, qualquer
plaquinha TRIDENT comprada por menos de 10 reais, mostra
16 milhões de cores num monitor VGA CCE ... hehehe
O processo todo avançou MUITO rapidamente,
e as targas e FRAMEBUFFERS foram aposentados.
Tenho certeza que muita gente nessa lista
já trabalhou nessa época por esse processo
e relembrou todas as dificuldades daqueles dias... hehehe
Hoje em dia, as
placas não só mostram a imagem no monitor,
como ainda podem tocar vídeos (A maioria com algum
tipo de compressão), em TEMPO REAL (Por isso existe
essa expressão também... heheh... pra um video
cassete, e gravar isso diretamente.
Só pra terminar
o papo da TARGA...Ela também capturava imagem do
VIDEO, só que o processo era o mesmo para passar
para o video...FRAME a FRAME e o software de captura basicamente
era feito em cima dos tais utilitários que comentei,
alido a programas Basic/Batch que deveriam ser criados para
executar tais tarefas...Todo mundo escrevia o seu...Não
haviam muitos software que controlavam captura, isso se
havia algum...
Então todo o processo era revertido,
e o video tocava o trecho a ser digitalizado centenas de
vezes e o micro ia captando 1 frame a cada vez que tocava
de novo... Controlando o video automaticamente. Não
preciso dizer que a vida útil desses vídeos
e das fitas era MUITO menor do que hoje em dia...Onde tudo
é em TEMPO REAL.
Acharam o processo interessante... ?
Bom...Mais uma curiosidade.
»A Diaquest, que
fazia controladores de VTs, patenteou, na época,
um processo chamado QuickPass que permitia usar a memória
RAM do micro, para enviar mais de 1 frame por vez, utlizando
o framebuffer, do micro para a Beta. Isso acelerava bastante
o processo, e minimizava os erros e desgaste dos equipamentos
e fitas. «
As Perceptions da DPS
, foram as "TARGAs" dos tempos modernos, que se
sucederam... Faziam/Fazem a incrível função
de frame buffer e ainda podiam tocar uma animação
do seu HD (SCSI), em tempo REAL direto para um u-matic,
ou uma BETACAM... Éra incrível !!! Lá
no meu trabalho tem uma ainda. E era bastante usada até
pouco tempo. É muito boa, mas ficou sub-utilizada
com o surgimento das placas de edição que
além de tocarem um animação em tempo
real para video, com boa qualidade, ainda não tem
RENDER nos programas de edição, então
você pode fazer uma edição completa, com caracteres,
fades, cortes, som e muito mais, e depois simplesmente clicar
PLAY do micro direto para o VIDEO...Claro que tem limitações...Nem
tudo é em tempo real.
Essa placas tem normalmente uma sigla
no nome...RT...De REAL TIME. No trabalho, usamos uma MATROX
DIGISUITE LE , que é uma placa RT.
Existe uma bem barata, para o mercado
semi-profissional/ caseiro, e é chamada MATROX RT2500.
Eita...Acho que
já escrevi mais um capitulo de um livro...hehehe...
Fui...
Espero que tenham gostado do texto, e
que guardem essa mensagem para mostrar para seus filhos...
Quando os mesmos já tiverem dando PLAY direto do
MAX (sem render), para a TV... :)
Quase me esqueci...hehehe... Tente trabalhar
sempre sem compressão e só nos finalmentes,
renderizar para o formato apropriado à sua placa
de saída Se for uma MATROX LE por exemplo, você precisará
renderizar em AVI, usando um CODEC especial dela.
A maioria dos sistemas real-time, trabalham com arquivos
integrados como resultado final, como MOV, AVI, etc...Mas
normalmente não são os AVIS comuns...Mas sim,
com um CODEC para essa placa especifica. Que será
descomprimido tem tempo real pelo hardware dela.
Então, procura
saber onde, e que equipamento irá passar sua animação
pra BETA, e ai saberá o formato a usar no arquivo
final. O melhor na minha opinião, se você estiver
na dúvida é sempre sequência de TIF.
ou .TGA. São os formatos mais compatíveis
com TODOS os micros e Sistemas operacionais.
Ass.:Marcelo Souza
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