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ARTIGO
: Modelando um ROBO em
Sculpey |
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AUTOR
: Philipe Kling David |
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Um robô Passo-a-passo
Por Philipe Kling David
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Introdução |
Olá
pessoal. Graças ao último artigo meu sobre
massas na 3donline, tenho recebido muitos emails de gente
interessada em esculturas e com interesses diversos relacionados
ao lance das massas, seu uso, materiais e etc. Muita gente
gostaria de entrar nesse campo da modelagem manual, seja
pela grana, seja pelo prazer. Há ainda os que se
interessaram pelo fato de que através da modelagem
real o cérebro aprende a lidar de maneira melhor
com o raciocínio espacial, o que é muito bom
quando se almeja a carreira no mundo da computação
gráfica e modelagem em 3d.
Há também outros aspectos interessantes, como
o fato de que numa disputa por uma vaga em uma grande companhia
de CGI lá fora, como Pixar, ILM, Blue Sky, Digital
Domain e muitas outras, quem é bom em CGI, design
conceitual e além de tudo tem capacidade de materializar
um boneco a partir de um sketch ganha a vaga facilmente.
Isso porque cada vez mais os estúdios precisam de
aprovações para absolutamente tudo, e aprovar
vendo a peça nas mãos é muito mais
garantido que apenas com desenhos de produção.
Sendo assim, queiramos ou não, esculpir é
um diferencial importante, da mesma forma que escrever e
desenhar também são.
Mas acima de tudo, é muuuuito gostoso. Uma excelente
terapia mesmo. Passo fácil 14 horas modelando uma
peça só sem nem perceber. (O problema é
a coluna!)
Como eu já tava gastando as teclas de tanto explicar
essas coisas repetidamente para os interessados, pensei
em escrever mais um artigo mostrando cada etapa do processo
de construção de uma miniatura, seja ela um
boneco, uma peça ou um protótipo de carro.
As informações que eu tentarei passar aqui
são genéricas e muitas vezes óbvias,
mas podem ajudar a quem está apenas começando.
Assim sendo, comecei dando uma geral no estúdio pra
me certificar de que tenho todo o material que poderei precisar.
Isso é legal porque evita saídas a todo momento
para comprar ferramentas, cola, tinta, pincel ou aquele
araminho que sempre falta na hora 'H"...
Com tudo em ordem, decida o que exatamente você vai
esculpir. Isso é muito importante, porque saber definir
bem o que se vai fazer evita aquele sentimento de impotência
idiota que nos acomete quando iniciamos o processo e fazemos
bolinhas, cobrinhas e ficamos: "Eu vou esculpir...
É.... É... Ih! Não sei!" Aí,
se vc estiver usando massa epoxi, um abraço. Ela
passa do tempo e você perde tempo e material inútilmente.
E a perda material não é nada comparado à
sensação de fracasso...
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O
que esculpir ? |
Obviamente
eu não vou dizer o que você, leitor deverá
escupir.
Mas se você permite, vou dar idéias. Sempre
busque inspiração em algo que te interessa.
Assim, se você gosta de RPG, jogue. Se gosta de ler,
dê uma lida, escolha uma história, veja um
filme. ( Há um tempo atrás, eu vi Conam o
Bárbaro, nada menos que 433 vezes para fazer um modelo)
Se você gosta de garotas estilo Pin up, dê uma
olhada nos trabalhos do Hajime Sorayama, da Olívia,
do Boris Vallejo, do Vargas... A internet está recheada
de ótimas referências e idéias pra você
botar a mão na massa ( Ai, que trocadilho besta!)
Mas muita gente tem um problema que é a falta de
aptidão para o desenho ( Aptidão NÃO
é capacidade, hein?) Assim, eu recomendo que quem
sabe desenhar crie ou ao menos tente criar suas próprias
idéias conceituais. É muito gratificante.
A única ressalva que eu faço nesse caso é
que quando você encarnar o desenhista, seja apenas
desenhista!
Não desenhe pensando no que sairá esculpido,
porque muitas vezes, dá problema e prende a criatividade.
A concentração em cada etapa deve ser máxima.
Mas em todo caso, se você não desenha ou (como
eu) tá com pouco tempo pra bolar dez mil artes até
chegar no produto final a ser esculpido, uma coisa muito
legal é sair em busca de designs conceituais da internet.
Mas é bom lembrar que quando se usa o design conceitual
de outra pessoa, é necessário que haja um
acordo prévio entre as partes. É legal ser
honesto, porque evita problemas de copyright e fica de antemão
acordado se a peça será copiada ou não,
bem como participações ao designer conceitual,
etc.
Bom, aí eu tava em casa de bobeira e resolvi escrever
este artigo, assim dei uma sapeada no site do grande designer
Feng
Zhu e achei alguma coisa legal pra modelar.
É essa espécie de arma secreta-máquina
de matar-robô. Bem, eu quando procuro algo pra modelar,
sempre busco peças que tenham muitos detalhes, (
um vício que herdei do tempo em que trabalhava pra
IDD miniaturas, uma vez que as mais detalhadas vendiam bem
mais) já que a grande quantidade de detalhes enriquece
muito a peça e permite maior exercício que
as peças minimalistas.
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Começando
o trabalho |
Feita a escolha da escultura, defina
de antemão se a peça será produzida
em escala de produção ou não. Isso
é fundamental e evita problemas futuros. Muitas peças
excelentes são perdidas porque a escultura produz
ângulos que não são simples de copiar.
Algumas estragam as formas muito depressa. Em alguns casos
o escultor deve ter um olhar atento para a necessidade de
dividir a peça em partes a serem montadas depois
de pronta. Infelizmente este artigo não cobrirá
a cópia das peças. Mas pretendo escrever um
sobre isso em breve, quem sabe, né?
Agora vem o primordia l! USE MUITAS REFERÊNCIAS. Não
se prenda a apenas um desenho. Se for usar um animal, use
muitas fotos para ver como os músculos funcionam.
Estude antes de começar. Tenha um livro de anatomia
sempre próximo de você. Se for caro demais
pro teu bolso, uma dica é comprar uma revista de
fisiculturismo. Ali tem uns cabras tão fortões
que você vê todos os músculos direitinho...
Mas atenção à proporção.
No meu caso, como o que eu vou esculpir ninguém nunca
viu, não é uma coisa que a gente bate o olho
e sabe se tá bem feito ou mal feito ( leve isso em
consideração sempre na hora de definir algo
pra esculpir) como um cavalo ou uma pessoa, eu não
preciso tanto de referências. Um desenho só
já serve. E a vantagem é que como é
uma peça minha, eu estou liberado da obrigação
da fidelidade absoluta. posso fazer pequenas alterações
que eu julgar necessárias, como retirar esse canhão
estúpidamente grande das costas do robô, pois
isso vai consumir muito material atôa, reduzir um
pouco o tamanho dos protetores de ombro, porque estão
meio exagerados e a cabeça fica meio sumida ali,
inventar da minha cabeça toda a parte de trás
do mesmo, essas coisas. É importante saber que nem
sempre o que fica bom no desenho fica na escultura, e vice-versa.
São linguagens totalmente diferentes, assim acabamos
por ter que fazer certas concessões sempre.
Para definir se a peça poderá ser ou não
copiada você deve ter algum conhecimento básico
do processo de duplicação de esculturas com
silicone industrial de impressão.
Mas se a peça será (como a minha neste caso
é) apenas uma escultura para se guardar no armário
das esclturas, mande bala pra próxima etapa, que
é pegar uma base de madeira para seu boneco. Esqueça
a tampa do vidro de maionese! Plástico nunca foi
bom pra usar de base ( a menos que vc esteja usando massa
epóxi). Pegue um compensado que geralmente é
bom pra isso. Faça dois furos na madeira. SEMPRE
USE UMA BASE PARA O BONECO! não esculpa-o na mesa
diretamente, pois isso atrapalhará muito na hora
de modelar. ( sim, eu já cometi essa burrice!) Pegue
um rolo de arame de aço fino. É um material
bem barato e vendido em rolo em lojas de ferragens. Peça
pra fazer testes de corte antes de comprar, pra definir
o grau de dureza do arame. Eu gosto dos de aço porque
são resistentes ao dobramento consecutivo por muitas
vezes. A taxa de fadiga do material é baixa. Isso
permite muita facilidade na hora de definir o posicionamento
da peça. Já o cobre, além de oxidar
tem o problema da quebra que é dramático!
Procure comprar um arame de aço bem fino, porque
ele é mais flexível e se você precisar
modelar peças diminutas, ele atenderá a esta
necessidade muito bem. Mas se precisar de rigidez, simplesmente
pegue um bom pedaço e torça o contra si mesmo
várias vezes. isso fará com que você
obtenha uma vara de arame rígida e densa com três
ou quatro arames compondo uma "corda" firme. Cuidado,
porque nessa hora acidentes acontecem com facilidade. Não
fique com olhos abertos ao usar alicates de corte, pois
a tensão produz disparos de pedaços de arame.
Furar o dedo nessa etapa já é tradição.
Assim, cuidado.
Muita gente me pergunta se deve ou não usar arame
de solda pra estruturas corporais... É uma pergunta
difícil de responder à primeira vista. Quando
você faz com Sculpey ou massas de cozimento, você
tem problemas sérios com esqueletos em arames de
chumbo e estanho. Eles tem um ponto de fusão baixo,
o que quer dizer que derretem no interior da peça
quando submetidos a 20 ou mais minutos num forno a 233 graus
centígrados... Se eles são estruturais, o
que temos é um boneco se desmilingüindo no meio
do seu forno, porque é como se os ossos dele virassem
geléia... E você não quer isso, certo?
Bem, assim eu usaria o arame de solda que é ótimo
apenas para algumas partes específicas da anatomia
de um boneco.
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Neste, eu usei para fazer a mão.
A facilidade de modelar com este arame permite que posicionemos
com facilidade os dedos, coisa que agiliza muito o processo.
Mas é necessário ressaltar que o boneco deve
ter os arames bem cobertos de massa, pois senão haverá
gotejamento da solda pelas frestas. Já se você
esculpe em epoxi ou qualquer outra massa que não
produza ou seja submetda a muito calor, use como quiser.
Só lembre que arames de solda tem baixa resistência
a tração, torção e fusão.
Assim, reforce bem a estrutura quando necessário.
Bem, pegue um bom pedaço de arame, e enfie-o pelos
buracos na madeira, de modo que ele entre bem justo e atravesse
de um lado para o outro. Então vc terá uma
madeira com um fio que entra de um lado passa por baixo
da madeira e sai do outro lado no outro buraco. Essa é
a base de firmeza. Eu faço assim, mas se vc tiver
solução melhor, tudo bem. Pegue mais pedaços
de arame e torça-os como eu falei aí em cima
sobre a base de firmeza da peça. E assim sucessivamente
com arame, vá construindo o corpo do boneco.
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Aqui está a imagem do esqueleto
de arame ( note que está sem cabeça) É
de propósito, uma vez que o robô do Feng tem
uma tremenda escoliose múltipla. ( também,
com aquele enorme canhão em cima...)
Bem, agora você tem um treco magrelo que parece mais
uma piada. não se dexe abater. É assim mesmo!
No final sai alguma coisa. O que você faz agora é
pegar o super sculpey. ( Se você não tem a
menor idéia do que é isso, leia sobre a massa
milagrosa no outro artigo sobre
massas.) Se você não tem Super Sculpey,
nada te impede de usar durepoxi, polyepoxi, Aves Clay, sculpey
simples ou qualquer outra massa que permita modelagem. A
diferença óbvia é que o sculpey e o
s.sculpey não secam sozinhos, por isso não
tem que ser misturado, não tem que fazer tudo correndo
porque ele só seca no forno. Se você for se
aventurar com massas epoxi, cuidado que são tóxicas.
Não coma. Eu sei que dá vontade, mas não
coma. não use água como diluente. Todo mundo
acha que água é o diluente de massa epóxi.
Lêdo engano. O diluente é álcool. Mas
use pouco porque mela! Eu sei que tá escrito que
dilui com água na caixa. Mas água não
é bom pra peças com detalhes.
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